quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Crise no meio da rua

Hoje aconteceu algo que não me acontecia há algum tempo e que me deixou assustada. Tive uma crise das brabas no meio na rua, mais precisamente na fila de uma lotérica. A fila estava imensa e eu estava nela há mais ou menos meia hora. Quando faltava uma pessoa pra ser atendida na minha frente, comecei a sentir os sintomas da ansiedade. Minha médica dizia que isso é coisa da minha mente, que em momentos assim eu devia tentar desviar meus pensamentos para outra coisa e respirar fundo. Impossível, com aquele calor, com aquele monte de gente, eu só pensava que estava passando mal, que a vista estava ficando embaçada e que eu não queria desmaiar.

Acabei saindo da fila e a medida que eu ia andando para a rua, a coisa foi só piorando. Resolvi sentar no meio fio para tentar me acalmar. " Que calor, muito calor, estou enjoada, vou desmaiar...as pessoas tão me olhando? Que vergonha, que vergonha!". Respirei fundo e andei mais um pouco para finguir que estava tudo bem. Acabei sentando no banco de uma pracinha. A essa altura meu pânico estava no limite, cheguei naquele ponto de não ouvir ninguém, de ouvir aquele zumbido dentro da cabeça, de querer morrer. Deitei no banco da praça na tentativa de me acalmar. Uma moça de aproximou perguntando se eu queria alguma coisa, dizendo que percebeu que eu não estava me sentindo bem e disse também que podia ligar para alguém, me ajudar...minha vergonha foi tamanha que disse que estava melhor, que morava perto e que estava indo embora. Ela me disse pra sentar na sombra, que todo aquele sol ia me deixar pior.

Consegui levantar e sentar em um banquinho na sombra. Foi o melhor mesmo, a medida que o vento fresco ia soprando, eu fui conseguindo me equilibrar. Esperei um pouco e vim andando para casa, mortificada de vergonha e com a certeza de que a moça (que também estava na fila e continuava), estava olhando meus passos para se certificar de que eu não ia ser atropelada pelo ônibus que passava.

Eu não sabia o que pensar, acho que minha maior preocupação foi não ter pago a conta que já estava em atraso. Deitei na minha cama e liguei pra minha mãe contando o que havia acontecido, ela me deu o telefone da psiquiatra e me fez prometer que iria ligar.

Concordei. Liguei agora a pouco para ela e deixei um recado na secretária eletrônica. Ela deve me retornar nas próximas horas. E lá vou eu novamente...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Feriado.

Esse feriado está sendo ruim, aliás, os feriados prolongados não são legais para mim. Surge aquele sentimento de não ter família, de ver as pessoas indo viajar, se divertindo e eu ficando para trás. Até mesmo meu namorado foi visitar a família em outro estado. A única amiga que restou na cidade e que eu havia marcado de ir no cinema, resolveu viajar de última hora. Resultado: tédio total, emburrecimento e claro, ansiedade.

As vezes eu me sinto mal de ficar reclamando, pois sei que perto de muitas pessoas eu tenho demais. Entretanto, sinto que perto de muitas outras, eu tenho de menos. Não estou tocando no ponto financeiro, mas sim no ponto sentimental e familiar. Como eu queria ser aquelas pessoas que são naturalmente felizes e resignadas. Como eu queria ter uma família grande e animada ao invés de ser filha única de apartamento. A impressão que eu tenho é que os dias vão passando e eu não tenho progresso, que eu penso em desanimar antes mesmo de começar.

Eu fico pensando: Se eu descobrisse uma doença terminal hoje, será que o meu sentido de viver iria se modificar? Será que eu iria desejar desesperadamente viver, lutar pela cura? Infelizmente, são coisas que se passam pela minha cabeça e que eu não consigo evitar.

Uma vez minha psiquiatra me disse que tenho o perfil de um depressivo crônico, que provavelmente isso é um fator genético, já que minha mãe vive a base de anti-depressivos. Mas que droga, vai ser a vida toda assim? Ando pensando em além dos meus remédios para ansiedade, começar a tomar também um anti-depressivo, porque sinceramente...a coisa está complicada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tá difícil.

Esses dias tem sido uma tortura. Ando passando mal, com o estômago ruim, coração quase saindo pela boca. Hoje acordei como se um trem tivesse passado com cima de mim, cansada, com uma pressão no peito...e tudo isso é ansiedade. Depois da "alta" da psiquiatra, eu achei que poderia viver sem meus remédios, sem a Sertralina e sem o Rivotril, mas é mentira, sem eles eu não consigo.

Hoje fui na faculdade me arrastando e ao sentar na cadeia me veio uma crise horrorosa. Meu coração não bate, ele parece querer sair do peito e um enjôo, uma fraqueza horrível tomam conta de mim. Começo a sentir um misto de frio e calor e isso é os primeiros indícios de que, se não me controlar, vou desmaiar na frente de todo mundo. Tentei me acalmar, peguei uma folha pra me abanar e comecei a respirar junto repetindo: "Isso não vai me dominar!".

Minhas amigas chegaram animadas querendo me levar para o shopping (não estávamos em aula, eu deveria ter chegado uma hora antes pra fazer um trabalho que elas já tinham terminado), mas não consegui. Só de pensar em ficar de pé, tendo que fazer todo um esforço pra não dar um vexame meu estômago se revira e meu coração acelerada ainda mais.

Até cojitei pensar mais uma vez se iria ou não, tentei pensar: "Eu preciso ir! Isso não pode mandar na minha vida!", mas não, a realidade é que isso manda na minha vida. Quando cheguei em casa, nem deitada, na minha cama, estava conseguindo me controlar. Coloquei dois comprimidos de Rivotril sublingual na boca e tentei dormir, tentei me concentrar em outra coisa. Dormi e agora estou aqui acordada, tentando desabafar com vocês...mas ainda assim ansiosa.

Para um pessoa normal, ler isso deve ser ridículo né? A pessoa pensa: "Mas pra que isso tudo? Porque?". A resposta é que não tem um porque, eu não sei o porque e cansei de tentar descobrir. Só sei que só quem passa por isso consegue entender o Fóbico Social.

Eu preciso mesmo fazer algo, correr de novo pra psiquiatra ou então qualquer outra coisa. Confesso que meus pensamentos de suicídio voltaram com força total, mas também confesso que não tenho coragem de deixar minha mãe sofrendo e nem de agir dessa forma, com tamanha covardia.

Quero melhorar, é só isso que eu quero.