domingo, 29 de março de 2009

Eu quero subir!


Eu passo por fases. Durante algum tempo as coisas ficam mais fáceis para mim, eu consigo viver minha vida de maneira um pouco mais normal - apesar de estar sempre com aquele incômodo lá no fundinho -, só que quando eu menos espero, as coisas ficam terríveis. Agora estou um uma dessas fases - ou saindo dela, assim espero.

Em um dia que até o momento parecia muito tranquilo, eu estava no meu trabalho quando tive uma crise de ansiedade das grandes. Do nada, fiquei completamente descontrolada. Não sei nem como dizer qual é a sensação, é uma COISA que toma conta da gente. Tremedeira, sudoreze, taquicardia, sensação de desmaio, muito enjoo e uma vontade de sair correndo, de chorar, de gritar, de sair dizendo: Porfavor, alguém me ajuda! Eu estou morrendo aqui, essa angústia toda vai me matar!

E eu não estou exagerando. É como se fosse uma montanha russa, no momento da primeira crise é como se eu estivesse lá no alto, olhando para baixo, pro horizonte e mesmo se eu quisesse, não dá mais pra desistir, o carrinho vai descer de qualquer maneira. Assim vai acontecendo, depois de descer, tem a melhora, a subida para descer novamente. Eu estou a procura do final da montanha-russa, ficar estável, segura.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte II

Foi em uma excursão de escola que as coisas começaram a mudar para mim. No fim da viagem, quando estávamos chegando ao destino, um dos meninos vomitou dentro do ônibus e para minha sorte, bem perto de mim. Fiquei desesperada, eu tremia, chorava, queria voltar pra casa naquele momento. Foi um descontrole fora do normal, algo sem explicação...e do nada! Normal todo mundo sentir nojo né? Mas não, aquilo havia me afetou de tal maneira que comecei a ficar completamente paranóica...

Dormir passou a ser uma tortura. Todas as noites eu sentia nauseas terríveis e o medo de passar mal começou a tomar conta de mim. Automático! Pensar = medo = enjoôs. Me lembro que o movimento do ventilador me deixava extremamente angustiada, que eu tentava dormir na tentativa de parar com o mal-estar. Eu me queixava com meus pais, porém como todo dia era a mesma coisa, chegou em um ponto em que ninguém acreditava mais em mim...

Passou. A fase dos enjoos e do pânico de noite passou da mesma maneira que veio, do nada. Só que deixou para trás o medo de viajar, de ver alguém vomitando, de brinquedos no parque de diverção, de qualquer situação que pudesse envolver vômito. Ridículo pensar que alguém possa sofrer tanto com uma coisa assim...mas acredite, eu sofria.

No início de 2001, meus pais se separaram. Na manhã em que meu pai veio me pedir perdão aos prantos, eu não entendi muito bem que minha vida naquele momento tomava um outro rumo. Fiquei apática enquanto a ficha ia caindo...e quando ela caiu, chorei, chorei e chorei pelo ano todo afora. Foi uma época extremamente complicada. Minha mãe xingava tanto meu pai por telefone e era tanta confussão, tanta falta de dinheiro, tanta tristeza que em uma das minhas crises de choro cheguei a desmaiar dentro do banheiro.

Eu passava o tempo inteiro enfiada dentro de casa. Me sentia feia, odiava que os outros ficassem olhando demais para mim, tinha (e tenho) medo mortal da desaprovação dos outros. Comecei a sentir dores no peito, como se estivesse tendo um ataque do coração. Me lembro de estar vendo televisão e do nada, sentir uma pressão horrível no peito, como se alguém estivesse sentando em cima de mim...

....

Gente, como estou feliz com a (pequena porém valiosa) repercussão desse blog! Era justamente isso que eu queria, reunir pessoas que sofrem do mesmo mal que eu...mais do que isso, ajudar e ser ajudada também. Gostaria de responder alguns comentários...

Lealsito, eu também tenho muita dificuldade em sair para trabalhar e para pegar ônibus. E quando está lotado então? É uma verdadeira tortura, me dá uma vontade louca de sair correndo! Eu sei que as vezes é muito difícil, que a deprê toma conta da gente, que dá vontade de desistir de tudo...mas saiba que você não está sozinho e procure se distrair quando os pensamentos vêm à sua mente! Respire, respire muito!

Cileide, muito obrigada! Confio muito em Deus e toda noite peço força, coragem e resignação! De novo, obrigada!

Diego L'ins, não conheço muito sobre psiquiatria, só mesmo o que já vivenciei. Vou ver se crio um msn, um e-mail ou algo assim está bem? Enquanto isso, pode postar aqui suas dúvidas que eu tento respondê-las ok? :)

Rayla querida, eu sei exatamente como você se sente. Eu costumo definir a fobia social como: ' estar rodeada de gente e ao mesmo tempo estar sozinha' ...bom, pelo menos é assim que eu me sinto. Acho de verdade que você precisa abrir o jogo com sua família, contar que você está sofrendo e procurar ajuda. Não tenha medo do que eles irão pensar, pense na sua felicidade em primeiro lugar! (sempre!). Qualquer coisa, pode postar aqui no blog que agente vai se falando está bem?

Um beijo pessoal e até a próxima!

domingo, 22 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte I

Acho que é necessário contar um pouco de mim para avançar com esse blog não é mesmo? Contar como os primeiros sintomas apareceram, as primeiras crises e os acontecimentos que mais me marcaram (negativamente) durante minha vida e que no fim, resultaram na menina que sou hoje...

Começa assim...

Minha mãe uma vez me contou que eu era uma criança muito feliz. Sorridente, meiga, comunicativa e sem medos. Nunca fui de ser levada, de dar trabalho e sequer chorei no primeiro dia no jardim de infância...enfim, era uma criança bem calma e "dócil".

Com o passar dos anos, minha personalidade foi mudando. Sofri muito com bullying¹ na escola e na rua aonde morava. Hora eu era muito magra, hora muito gorda e o fato de ter um cabelo cacheado e aparelho nos dentes não ajudava em nada. Eu ouvia muitas piadinhas com relação a minha aparência e com o passar do tempo, fui me tornando fechada e infeliz comigo mesma. Para vocês terem idéia do nível de abuso, houveram casos de ameaça, de humilhação pública e até mesmo uma surra no meio da rua...

O pior disso tudo é que eu sofria calada. Até hoje, há coisas que minha mãe não sabe que aconteceram naquela época. Você deve estar se perguntando o porque deu nunca contar pra ninguem né? Bem...eu acho que tinha medo. Minha mãe (médica e policial civil) era muito ausente e tinha um temperamente extremamente explosivo (apesar de sempre ter sido uma mãe maravilhosa e muito carinhosa). Por exemplo, eu tinha medo de contar para ela que era ameaça por uma "amiguinha" e ela ir na casa da fulana arrumar um barraco (coisa que provavelmente ia acontecer...). O medo de chamar atenção foi surgindo e foi nessa época que eu adquiri o hábito de roer as unhas.

Meu pai era presente, mas hoje só me lembro que ele me levava e buscava no colégio. O casamento dos meus pais era pura briga e só mais tarde eu vim a saber o quanto ele aprontava, das amantes, do dinheiro que deveria ser gasto dentro de casa e que minha mãe sustentava a casa praticamente sozinha. Sabe, era tudo muito errado...e os episódios de ansiedade começaram a aparecer na minha vida...

¹ Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo - bully ou "valentão" - ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo.

Que bom!

Nossa gente, que felicidade quando abri esse blog e vi os recados, os comentários! É muito bom saber que há pessoas que estão lendo esse blog...e principalmente, pessoas que me entendem.

Só que eu gostaria de esclarecer uma coisa: suicídio é um pensamento que só me ocorre nos momentos de aflição, de desânimo e é algo que eu nunca seria capaz de concretizar. Primeiro porque eu jamais seria capaz de dar uma dor tão terrível à minha mãe e minha família. Segundo porque, apesar dos meus problemas, eu sou cristã e acredito fielmente em Deus. Fico grata com os comentários de preocupação e quero lhes digo mais uma vez: estarei sempre lutando, em busca da minha felicidade.

sábado, 21 de março de 2009

(Mais) um dia difícil...

Minha psiquiatra acha que tem uma coisa que me atrapalha a melhorar: a depressão. Ultimamente, eu tenho estado triste, desesperançosa com a vida sabe? Na verdade, eu oscilo muito. Tem dias que eu estou muito bem, tem dias que fico me perguntando o porque de ainda viver. Confesso que já cheguei a pensar na melhor forma de morrer, em suicídio. Mas não, eu não tenho nenhuma coragem...

A sensação que tenho agora é que uma pessoa está sentada no meu peito. É uma angústia, um trem ruim que me impede de respirar fundo. Você já sentiu isso?

Estou tomando Assert (50mg) há alguns dias e também tenho o Rivotril (0,25mg) para as situações em que o pânico e a ansiedade tomam conta - mas esse eu raramente tomo, reluto até o último momento. Já passei também pelo Pondera, mas não me adaptei muito bem...após quase dois meses de uso eu ainda estava tendo crises, sem contar a sensação horrorosa que foi nos primeiros dias. A Paroxetina (Pondera) me rendeu efeitos colaterais terríveis, eu não conseguia comer, ficava o dia inteiro meio que dopada...como se meu corpo pesasse 100 kg.

Eu queria chorar, colocar tudo para fora, mas não consigo. Acho que já chorei tanto que a fonte secou...

Será que tem alguém lendo esse blog? Como eu disse, eu tenho tanta coisa pra contar, tanto pra escrever que nem sei por onde começar...

No próximo post, falarei um pouco sobre como são as crises...

Se há alguém aí, um beijo!

sexta-feira, 13 de março de 2009

TAS

Eu sempre soube que havia alguma coisa errada. Repetia para mim mesmo que meu problema era timidez e que aos poucos isso iria passar. Só que não, não passou. A situação toda foi piorando e chegou em um ponto em que eu não dava mais para aguentar. Fui obrigada a reconhecer que precisava urgentemente de ajuda e pela primeira vez, após muito sofrer (calada), entrei em um consultório de psiquiatria.

Diagóstico? Transtorno de ansiedade social e depressão. Eu nunca ouvira falar disso em toda minha vida e não sabia ao certo o que sentir: eu estava feliz por finalmente descobrir o nome daquela 'coisa' que me perseguia ou desanimada por realmente constatar que havia algo de errado em mim?

Estou fazendo terapia (mais precisamente) terapia comportamental cognitiva. Há alguns meses (acho que 2 ou 3), bato ponto no consultório da minha médica toda semana. Esse blog é meu desabafo, meu histórico de luta contra mim mesma, contra minha cabeça e meus maus pensamentos. Minha esperança de cura e muito além disso, é minha vontade de que essas palabras cheguem aos olhos de alguém que sofre da mesma coisa e que este tenha a certeza que não está sozinho, que outros compartilham da mesma dor.

Claro que não dá para contar tudo de uma vez. Aos poucos, vou contando minha vida e tudo que já passei, sem nada a esconder....

quinta-feira, 12 de março de 2009

Começo.

Esse blog está surgindo em uma noite de tristeza. Em uma noite em que eu sinto que preciso de algo mais além de desabafar com minha mãe. Hoje me sinto sozinha, me sinto com vontade de morar em uma ilha deserta sem ninguém e pior, sinto vontade de não estar mais aqui. Me pergunto o que faço aqui.

Esse é o blog de uma fóbica social. Por meio dele, espero poder desabafar, contar meus medos, alegrias, conquistas e acima de tudo, chegar a ajudar alguém que sofre da mesma maneira. Acho que meu intuito principal ao criar esse blog é ajudar, pois ninguém (além de quem sofre com isso), entende como é complicado e difícil algumas vezes seguir em frente.

Enquanto eu viver, estarei em busca da minha felicidade.