Foi em uma excursão de escola que as coisas começaram a mudar para mim. No fim da viagem, quando estávamos chegando ao destino, um dos meninos vomitou dentro do ônibus e para minha sorte, bem perto de mim. Fiquei desesperada, eu tremia, chorava, queria voltar pra casa naquele momento. Foi um descontrole fora do normal, algo sem explicação...e do nada! Normal todo mundo sentir nojo né? Mas não, aquilo havia me afetou de tal maneira que comecei a ficar completamente paranóica...
Dormir passou a ser uma tortura. Todas as noites eu sentia nauseas terríveis e o medo de passar mal começou a tomar conta de mim. Automático! Pensar = medo = enjoôs. Me lembro que o movimento do ventilador me deixava extremamente angustiada, que eu tentava dormir na tentativa de parar com o mal-estar. Eu me queixava com meus pais, porém como todo dia era a mesma coisa, chegou em um ponto em que ninguém acreditava mais em mim...
Passou. A fase dos enjoos e do pânico de noite passou da mesma maneira que veio, do nada. Só que deixou para trás o medo de viajar, de ver alguém vomitando, de brinquedos no parque de diverção, de qualquer situação que pudesse envolver vômito. Ridículo pensar que alguém possa sofrer tanto com uma coisa assim...mas acredite, eu sofria.
No início de 2001, meus pais se separaram. Na manhã em que meu pai veio me pedir perdão aos prantos, eu não entendi muito bem que minha vida naquele momento tomava um outro rumo. Fiquei apática enquanto a ficha ia caindo...e quando ela caiu, chorei, chorei e chorei pelo ano todo afora. Foi uma época extremamente complicada. Minha mãe xingava tanto meu pai por telefone e era tanta confussão, tanta falta de dinheiro, tanta tristeza que em uma das minhas crises de choro cheguei a desmaiar dentro do banheiro.
Eu passava o tempo inteiro enfiada dentro de casa. Me sentia feia, odiava que os outros ficassem olhando demais para mim, tinha (e tenho) medo mortal da desaprovação dos outros. Comecei a sentir dores no peito, como se estivesse tendo um ataque do coração. Me lembro de estar vendo televisão e do nada, sentir uma pressão horrível no peito, como se alguém estivesse sentando em cima de mim...
....Gente, como estou feliz com a (pequena porém valiosa) repercussão desse blog! Era justamente isso que eu queria, reunir pessoas que sofrem do mesmo mal que eu...mais do que isso, ajudar e ser ajudada também. Gostaria de responder alguns comentários...
Lealsito, eu também tenho muita dificuldade em sair para trabalhar e para pegar ônibus. E quando está lotado então? É uma verdadeira tortura, me dá uma vontade louca de sair correndo! Eu sei que as vezes é muito difícil, que a deprê toma conta da gente, que dá vontade de desistir de tudo...mas saiba que você não está sozinho e procure se distrair quando os pensamentos vêm à sua mente! Respire, respire muito!
Cileide, muito obrigada! Confio muito em Deus e toda noite peço força, coragem e resignação! De novo, obrigada!
Diego L'ins, não conheço muito sobre psiquiatria, só mesmo o que já vivenciei. Vou ver se crio um msn, um e-mail ou algo assim está bem? Enquanto isso, pode postar aqui suas dúvidas que eu tento respondê-las ok? :)
Rayla querida, eu sei exatamente como você se sente. Eu costumo definir a fobia social como: ' estar rodeada de gente e ao mesmo tempo estar sozinha' ...bom, pelo menos é assim que eu me sinto. Acho de verdade que você precisa abrir o jogo com sua família, contar que você está sofrendo e procurar ajuda. Não tenha medo do que eles irão pensar, pense na sua felicidade em primeiro lugar! (sempre!). Qualquer coisa, pode postar aqui no blog que agente vai se falando está bem?
Um beijo pessoal e até a próxima!