segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Estou tentando...

Ei gente, depois de um tempo eu voltei. Como estão vocês? Por aqui vai tudo indo, estou tentando superar minhas dificuldades...

Há mais ou menos um mês fui em outra psiquiatra e comecei uma nova medicação. De início, o plano seria tomar um comprimido inteiro de Donaren (anti depressivo e meio ansiolítico), mas logo no primeiro dia já vi que não ia dar certo. Tomei o comprimido antes de dormir e no dia seguinte não consegui levantar da cama no horário certo, passei o dia meio lenta e com uma sensação de "cabeça frutuando". Enfim, voltei na doutora e ela me pediu para tomar 1/3 e estou fazendo isso agora. Só não sei direito se está fazendo efeito.

A psi também me indicou fazer psicanálise. Como eu já havia comentado aqui, fiz durante um bom tempo terapia cognitiva comportamental e de nada me adiantou, então resolvemos partir para Freud e etc. Acredito que está sendo muito bom para mim, mas tem uma coisa que está me deixando super mega encomodada: o gasto que isso trás. Um mês de terapia é igual a menos R$500,00 na conta da minha mãe e eu não consigo parar de pensar no gasto que isso trás e nas coisas que ela poderia estar fazendo com esse dinheiro. Já discuti isso com a psicóloga, mas não está entrando na minha cabeça. Estou tentando conviver com isso...

Quanto as atividades sociais, acho que fiz pequenos progressos. Graças a Deus, não tive mais nenhum ataque de ansiedade como o do post anterior. No momento, consigo no máximo ir em reuniões na casa de amigos e em barzinhos que não estejam muito lotados. Meu namoro vai bem, mas está cada vez mais difícil esconder do meu namorado meu problema. As vezes, me dá vontade de chorar, de gritar, de colocar tudo pra fora...mas eu tenho muito medo de perdê-lo. Qualquer situação de exposição me deixa extremamente desconfortável e isso é cansativo e muito desistimulador. Ele quer ir pra Bahia no Reveillón e eu já estou sofrendo. Sinceramente, não sei o que foi fazer.

Até a próxima pessoal!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Crise no meio da rua

Hoje aconteceu algo que não me acontecia há algum tempo e que me deixou assustada. Tive uma crise das brabas no meio na rua, mais precisamente na fila de uma lotérica. A fila estava imensa e eu estava nela há mais ou menos meia hora. Quando faltava uma pessoa pra ser atendida na minha frente, comecei a sentir os sintomas da ansiedade. Minha médica dizia que isso é coisa da minha mente, que em momentos assim eu devia tentar desviar meus pensamentos para outra coisa e respirar fundo. Impossível, com aquele calor, com aquele monte de gente, eu só pensava que estava passando mal, que a vista estava ficando embaçada e que eu não queria desmaiar.

Acabei saindo da fila e a medida que eu ia andando para a rua, a coisa foi só piorando. Resolvi sentar no meio fio para tentar me acalmar. " Que calor, muito calor, estou enjoada, vou desmaiar...as pessoas tão me olhando? Que vergonha, que vergonha!". Respirei fundo e andei mais um pouco para finguir que estava tudo bem. Acabei sentando no banco de uma pracinha. A essa altura meu pânico estava no limite, cheguei naquele ponto de não ouvir ninguém, de ouvir aquele zumbido dentro da cabeça, de querer morrer. Deitei no banco da praça na tentativa de me acalmar. Uma moça de aproximou perguntando se eu queria alguma coisa, dizendo que percebeu que eu não estava me sentindo bem e disse também que podia ligar para alguém, me ajudar...minha vergonha foi tamanha que disse que estava melhor, que morava perto e que estava indo embora. Ela me disse pra sentar na sombra, que todo aquele sol ia me deixar pior.

Consegui levantar e sentar em um banquinho na sombra. Foi o melhor mesmo, a medida que o vento fresco ia soprando, eu fui conseguindo me equilibrar. Esperei um pouco e vim andando para casa, mortificada de vergonha e com a certeza de que a moça (que também estava na fila e continuava), estava olhando meus passos para se certificar de que eu não ia ser atropelada pelo ônibus que passava.

Eu não sabia o que pensar, acho que minha maior preocupação foi não ter pago a conta que já estava em atraso. Deitei na minha cama e liguei pra minha mãe contando o que havia acontecido, ela me deu o telefone da psiquiatra e me fez prometer que iria ligar.

Concordei. Liguei agora a pouco para ela e deixei um recado na secretária eletrônica. Ela deve me retornar nas próximas horas. E lá vou eu novamente...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Feriado.

Esse feriado está sendo ruim, aliás, os feriados prolongados não são legais para mim. Surge aquele sentimento de não ter família, de ver as pessoas indo viajar, se divertindo e eu ficando para trás. Até mesmo meu namorado foi visitar a família em outro estado. A única amiga que restou na cidade e que eu havia marcado de ir no cinema, resolveu viajar de última hora. Resultado: tédio total, emburrecimento e claro, ansiedade.

As vezes eu me sinto mal de ficar reclamando, pois sei que perto de muitas pessoas eu tenho demais. Entretanto, sinto que perto de muitas outras, eu tenho de menos. Não estou tocando no ponto financeiro, mas sim no ponto sentimental e familiar. Como eu queria ser aquelas pessoas que são naturalmente felizes e resignadas. Como eu queria ter uma família grande e animada ao invés de ser filha única de apartamento. A impressão que eu tenho é que os dias vão passando e eu não tenho progresso, que eu penso em desanimar antes mesmo de começar.

Eu fico pensando: Se eu descobrisse uma doença terminal hoje, será que o meu sentido de viver iria se modificar? Será que eu iria desejar desesperadamente viver, lutar pela cura? Infelizmente, são coisas que se passam pela minha cabeça e que eu não consigo evitar.

Uma vez minha psiquiatra me disse que tenho o perfil de um depressivo crônico, que provavelmente isso é um fator genético, já que minha mãe vive a base de anti-depressivos. Mas que droga, vai ser a vida toda assim? Ando pensando em além dos meus remédios para ansiedade, começar a tomar também um anti-depressivo, porque sinceramente...a coisa está complicada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tá difícil.

Esses dias tem sido uma tortura. Ando passando mal, com o estômago ruim, coração quase saindo pela boca. Hoje acordei como se um trem tivesse passado com cima de mim, cansada, com uma pressão no peito...e tudo isso é ansiedade. Depois da "alta" da psiquiatra, eu achei que poderia viver sem meus remédios, sem a Sertralina e sem o Rivotril, mas é mentira, sem eles eu não consigo.

Hoje fui na faculdade me arrastando e ao sentar na cadeia me veio uma crise horrorosa. Meu coração não bate, ele parece querer sair do peito e um enjôo, uma fraqueza horrível tomam conta de mim. Começo a sentir um misto de frio e calor e isso é os primeiros indícios de que, se não me controlar, vou desmaiar na frente de todo mundo. Tentei me acalmar, peguei uma folha pra me abanar e comecei a respirar junto repetindo: "Isso não vai me dominar!".

Minhas amigas chegaram animadas querendo me levar para o shopping (não estávamos em aula, eu deveria ter chegado uma hora antes pra fazer um trabalho que elas já tinham terminado), mas não consegui. Só de pensar em ficar de pé, tendo que fazer todo um esforço pra não dar um vexame meu estômago se revira e meu coração acelerada ainda mais.

Até cojitei pensar mais uma vez se iria ou não, tentei pensar: "Eu preciso ir! Isso não pode mandar na minha vida!", mas não, a realidade é que isso manda na minha vida. Quando cheguei em casa, nem deitada, na minha cama, estava conseguindo me controlar. Coloquei dois comprimidos de Rivotril sublingual na boca e tentei dormir, tentei me concentrar em outra coisa. Dormi e agora estou aqui acordada, tentando desabafar com vocês...mas ainda assim ansiosa.

Para um pessoa normal, ler isso deve ser ridículo né? A pessoa pensa: "Mas pra que isso tudo? Porque?". A resposta é que não tem um porque, eu não sei o porque e cansei de tentar descobrir. Só sei que só quem passa por isso consegue entender o Fóbico Social.

Eu preciso mesmo fazer algo, correr de novo pra psiquiatra ou então qualquer outra coisa. Confesso que meus pensamentos de suicídio voltaram com força total, mas também confesso que não tenho coragem de deixar minha mãe sofrendo e nem de agir dessa forma, com tamanha covardia.

Quero melhorar, é só isso que eu quero.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Namorada e dia-a-dia.

Então, fui pedida em namoro. Tenho medo, muito medo. Como a maioria dos fóbicos, eu tenho dúvidas sobre mim e minha baixa auto-estima me limita muito. Eu fico pensando se ele gosta de mim do jeito que eu sou, se ele me aceita da maneira que eu sou (e não, eu ainda não contei do meu transtorno).

Já trabalhei muito com a psiquiatra isso de me achar feia, inferior com relação aos outros e apesar de ter conseguido alguns progressos, os pensamentos automáticos com relação a isso permanecem na minha mente. Como eu já disse, na minha infância sofri muito com bullyng e isso me deixou marcas profundas. É extramemente difícil mudar uma imagem construída durante anos...

Apesar das minhas dúvidas, vou em frente. Se eu tiver que sofrer, vou sofrer...uma hora eu teria que começar a me relacionar com alguém.

Com relação aos sintomas e tudo mais, ando mais ou menos. Uns dias são melhores com os outros e na maioria das horas, eu estou com o coração acelerado e com o estômago enjoado. Estou tendo bastante dificuldade de comer em locais públicos e junto do namorado também. Não é questão de querer emagrecer ou algo parecido, acontece que meu estômago sempre paga o pato. Quando vem uma crise de ansiedade que acaba em desmaio, o estômago é o primeiro a sinalizar: enjôo, muito enjôo e mal-estar. Nos dias que estou me achando ansiosa demais, procuro comer algo em casa ou se não tiver jeito, comer bem pouco na rua e claro, sempre com meu Rivotril sublingual na bolsa. A Sertralina eu todo todos os dias, 100mg.

Como recebi "alta" da psiquiatra, ando pensando na possibilidade de começar uma terapia. Eu sinto falta de falar, de conversa com alguém, de colocar pra fora minas angústias.

Enfim, me desculpem a demora para postar e em tempo: criei um msn para me comunicar com vocês: diariodeumafobica@hotmail.com.

Um beijo e até mais.

domingo, 7 de junho de 2009

Rir também é remédio....



Quando for às consultas com seu psicólogo/psiquiatra e estiver com vontade de incomodá-lo, use estas técnicas:

1 - Diga que ouve vozes (com uma cara séria). Quando lhe perguntarem o motivo ou quando isso acontece, diga: "Toda vez que eu atendo ao telefone".

2 - Quando for à sua primeira consulta diga que não possui problema algum e que seus amigos fadas e duendes até o aconselharam a nem ir nessa consulta.

3 - Após solucionar um caso e encontrarem uma solução, diga que agora está tudo bem, então vire-se para o lado e diga: "Tudo resolvido, certo Frank?". Insista que esta pessoa existe.

4 - Diga que vê pessoas mortas, caso pedirem-lhe um exemplo , diga: "Ontem por exemplo, quando fui ao enterro do meu tio avô Ernesto". (tia, tia avó, primo, quem você quiser matar.)

5 - Invente palavras malucas e ao conversar com seu psicólogo, use-as em vez de seu vocabulário normal. Exemplo: "Ontem eu estava tão gnork que splotrok".

6 - Caso você for adolescente, diga estar achando virar um alienígena, porque pontinhos verdes aparecem do nada em seu rosto.

7 - Com feição de paranóico e assustado diga coisas do tipo: "Ele virá me pegar". Quando lhe perguntarem quem, diga: "Meu pai depois da consulta". (Se quiser coloque as frases no plural).

8 - Tire fotos fingindo estar abraçando alguém ou fingindo que está com alguém e mostre as fotos ao seu psicólogo, dizendo os nomes dos seus amigos "invisíveis".

9 - Diga que pode prever as coisas, diga que pode ver em sua mente tudo o que irá acontecer no dia de ontem, e insista.

10 - Dependendo da hora de sua consulta, coloque seu celular para tocar no meio dela, antes do celular tocar diga que prevê as coisas e diga que seu celular irá tocar em "por exemplo, 1 minuto" ou "por exemplo, às duas da tarde".

11 - Quando seu psicólogo estiver tratando de algo sério, faça caretas estranhas e diga que espíritos estão tentando entrar em contato com você.

12 - Quando lhe pedirem atenção ou dirigirem-se à você, diga: "(O seu nome, "João") não está mais entre nós, agora eu (invente um nome estranho, "Zitron") estou no comando de seu corpo". Ou Ele está fora de área, tente novamente mais tarde ou deixe seu recado após o sinal". Faça o barulho do sinal e após isso diga: "Gravando mensagem".


Hahahaha, eu ri demais gente! Imagina a cena! haha
Rir também é remédio, faz bem e relaxa!

Obs: Estou tratando de criar um msn para conversar com quem quiser. Inicialmente, confesso que não queria fazer isso, mas vi que muita gente anda me pedindo pra conversar, contar minhas histórias e tudo mais...no próximo post, já lhes dou o e-mail ok?

Bjocas e espero que esteja tudo bem por aí! SORRIA!

domingo, 24 de maio de 2009

Eu não quero ser eu...

Dia difícil. Estou triste, deprimida, sem esperanças...

Vim andando pela rua com um sensação esquisita de fraqueza, sono, desmaio. Sinto vontade de chorar, mas as lágrimas estão presas dentro de mim. Engraçado, faz tanto tempo que não choro que tenho a sensação que está tudo guardado aqui no peito. Ai como eu queria que as coisas fossem diferentes, como eu gostaria de não ter que pensar em ansiedade. Como eu gostaria de não saber que isso existe...

Ontem tive uma crise de ansiedade horrorosa no ponto de ônibus...com ele perto de mim. Enjôo, muito enjôo, maõs suando, mente aérea...ele conversa comigo e eu não entendo, demoro a responder...

O que será que ele vai achar quando souber que sou assim? Ainda vai gostar de mim?

TRISTE.

domingo, 17 de maio de 2009

Namorar? Isso me assusta!


Eu nunca tive um namorado. Oportunidades? Tive várias! Só que quando as coisas começaram a ficar um pouco mais sérias, tendendo a virar um compromisso, eu arrumava um jeito de afastar a pessoa e ficar sozinha. Segundo minha psiquiatra, isso é devido a meu medo da rejeição. Tenho medo de a pessoa me achar feia, esquisita, diferente dos demais...tenho medo de contar sobre minha doença e ser taxada de doida.

Eu ouço muito as pessoas que sofrem de TAS reclamarem que nunca tiveram um relacionamento, que de alguma forma, nada nesse sentido acontece. Você já parou pra pensar se dá oportunidade para isso acontecer? Já parou pra pensar na sua linguagem corporal na hora que alguém tenta se aproximar?

Nesse momento, estou vivendo uma situação assim. Na verdade, nunca estive tão próxima de ser pedida em namoro. Se isso me causa incômodo, me deixa insegura? MAS É CLARO! Pensa que só porque eu escrevo esse blog aqui, tomo remédios ou qualquer coisa do tipo, eu não tenho medo e não sofro? Gente, isso está na minha mente todos os dias e de alguma forma, eu me sinto obrigada a encarar mais esse desafio.

Eu sei que ele gosta de mim e quanto a ele, estou tranquila. O que me deixa nervosa é conhecer os outros: família, amigos, viver situações de exposições. Fico pensando se vou dar conta, e vou conseguir compater meus pensamentos automáticos, se vou conseguir me manter em pé nos momentos sociais. MEDO DEMAIS!

Será que tem alguém lendo isso daqui? Se tiver, saiba que, apesar de tudo, é necessário se arriscar e não tem pra onde correr. Infelizmente, a coisa funciona assim. Espero que esteja tudo bem por aí...

domingo, 10 de maio de 2009

Tem dia que é assim...


Olá pessoal, depois de um tempo, estou aqui outra vez. Hoje estou me sentindo meio mal, estou ansiosa, com medo de sair de casa, com medo de passar mal na frente dos outros.

A novidade é que minha psiquiatra me deu "alta" da terapia comportamental. Quando ela me disse isso, fiquei muito surpresa e receosa, acho fiquei com medo de não dar conta sozinha. Depois de alguns meses fazendo exposições (indo viajar com a faculdade e frequentando lugares que geram ansiedade para mim), tomando minha Sertralina e também o Rivotril sublingual, não preciso ir mais nas seções semanais. * Essa "alta" quer dizer que não vou lá toda semana, que passei da fase crítica!

Apesar disso, estou muito nervosa! Ontem, quando fui tomar a Sertralina, aumentei a dose de 75mg para 100mg! Fiz isso sem orientação médica e sei que é errado, mas minha vontade de melhorar e me sentir bem supera qualquer coisa e me leva a cometer atos como esse. Agora pela manhã já acordei acelerada, com o coração a mil, sentindo enjôos e uma angústia tremenda no peito...nem pensei, tomei café e coloquei um rivotril debaixo da língua. Aparentemente, ele está começando a fazer efeito e estou um pouco mais calma.

Outra novidade é que estou saindo com um carinha. Dia 05 agora fez um mês que estamos juntos. Eu já tive muitos problemas com isso de relacionamento, pois quando as coisas começavam a ficar um pouco mais sérias, eu ficava completamente insegura e de alguma forma, afastava as pessoas. Quantas oportunidades perdidas! Mas quando eu conheci ele - por meio de um amigo em comum -, jurei para mim mesmo que apesar do desconforto, do medo da desaprovação, eu iria investir, não iria deixar meus pensamentos negativos me guiarem...

Hoje vou vê-lo. Ele é um fofo, diz gostar muito de mim e até comprou 10 talentos vermelhos só porque viu nas minhas comunidades que eu gosto. Acho que é por isso que estou nervosa! Fico pensando: será que ele vai gostar de mim do jeito que eu sou? Será que ele vai entender que eu tenho um transtorno? Será isso, será aquilo?

Estou nervosa. Antes de ir, vou sentar e fazer uns cartões de enfrentamento, acho que eles me ajudam bastante. É fácil fazer pessoal: você escreve em um papel os pensamentos automáticos que mais te atrapalham ou que vc acha que pode acontecer em determinada situação...por exemplo: " E se eu me sentir mal, ter sensação de desmaio lá na festa? "

Logo embaixo, você faz a reestruturação, dizendo: " Isso não vai acontecer, pois estou medicada. Essas sensações são criadas pelo meu cérebro e eu posso ter controle sobre elas! Eu consigo! Eu sou igual a todo mundo, não vou deixar que nada atrapalhe minha felicidade! "

Lógico que as situações e reestruturações mudam de pessoa para pessoa, afinal, cada um tem sua história de vida. Espero que isso possa ajudar alguém aí a ficar mais equilibrado...

É difícil mesmo gente, viram como no texto abaixo eu estava feliz? É assim mesmo, uns dias são melhores que os outros e assim vamos vivendo buscando sempre o melhor. Tudo de bom para vocês e obrigada pelos comentários e mensagens de apoio!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Felicidade!

Há mais ou menos um mês atrás me forcei a pagar e ir em uma viagem com a faculdade para o Rio de Janeiro. Desde de que havia posto meu nome naquela lista, comecei a ficar extremamente nervosa, apavorada e com medo. Medo de passar mal, de desmaiar, do pessoal querer sair de noite, medo de não conseguir controlar minha ansiedade. Acima de tudo, medo de falhar.

Uma noite antes, fui na minha psiquiatra e nós conversamos muito. Ela me pediu para fazer cartões de enfrentamento - você escreve situações que podem estar gerando ansiedade e em seguida faz reestruturações de forma positiva. Ela me disse que eu tinha tudo nas mãos para ficar bem: meu Cloridrato de Sertralina, meu Rivotril sublingual, os cartões e a técnica de respiração. Nossa, na noite da viagem eu estava uma pilha: chorei, tremi, respirei e trabalhei muito minha cabeça...toda hora que vinha um pensamento negativo, eu parava tudo e pensava:
" Calma, vai dar tudo certo! Vai ficar tudo bem! "

Foi assim que entrei naquele ônibus, reunindo toda a coragem que havia dentro de mim. É incrível como o fóbico social consegue sofrer com as situações que para os outros significam prazer né? Para completar, eu ainda consegui esquecer meu celular em casa e o medo de precisar ligar para alguém, pedir ajuda ia tomando conta de mim...mais uma vez precisei me esforçar para ter o controle da situação. Rezei muito para que tudo desse certo...

E assim aconteceu! Eu não consigo descrever a minha felicidade. Claro que teve momentos difíceis, usei muito o Rivotril, saí super cedo de uma balada que o pessoal resolveu ir (tinha chegado no meu limite, mas feliz por ter conseguido ir, isso sim foi uma grande vitória!) e claro, respirei muito, muito mesmo! Apesar de tudo, essa viagem será inesquecível...

Agora estou com uma sensação maravilhosa de que realmente estou melhorando, estou notando os primeiros sinais que estou ficando melhor. É bom tão saber que sou igual aos outros, que posso fazer as coisas que as outras pessoas fazem!
Estou otimista, eu quero me aceitar como eu sou, quero ter o máximo de felicidade que essa vida pode me dar!

FORÇA PESSOAL!

No próximo post, pretendo falar um pouco sobre o que estou trabalhando na TCC: técnicas de exposição, respiração e reestruturação.

Um beijo e não desista nunca!

domingo, 29 de março de 2009

Eu quero subir!


Eu passo por fases. Durante algum tempo as coisas ficam mais fáceis para mim, eu consigo viver minha vida de maneira um pouco mais normal - apesar de estar sempre com aquele incômodo lá no fundinho -, só que quando eu menos espero, as coisas ficam terríveis. Agora estou um uma dessas fases - ou saindo dela, assim espero.

Em um dia que até o momento parecia muito tranquilo, eu estava no meu trabalho quando tive uma crise de ansiedade das grandes. Do nada, fiquei completamente descontrolada. Não sei nem como dizer qual é a sensação, é uma COISA que toma conta da gente. Tremedeira, sudoreze, taquicardia, sensação de desmaio, muito enjoo e uma vontade de sair correndo, de chorar, de gritar, de sair dizendo: Porfavor, alguém me ajuda! Eu estou morrendo aqui, essa angústia toda vai me matar!

E eu não estou exagerando. É como se fosse uma montanha russa, no momento da primeira crise é como se eu estivesse lá no alto, olhando para baixo, pro horizonte e mesmo se eu quisesse, não dá mais pra desistir, o carrinho vai descer de qualquer maneira. Assim vai acontecendo, depois de descer, tem a melhora, a subida para descer novamente. Eu estou a procura do final da montanha-russa, ficar estável, segura.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte II

Foi em uma excursão de escola que as coisas começaram a mudar para mim. No fim da viagem, quando estávamos chegando ao destino, um dos meninos vomitou dentro do ônibus e para minha sorte, bem perto de mim. Fiquei desesperada, eu tremia, chorava, queria voltar pra casa naquele momento. Foi um descontrole fora do normal, algo sem explicação...e do nada! Normal todo mundo sentir nojo né? Mas não, aquilo havia me afetou de tal maneira que comecei a ficar completamente paranóica...

Dormir passou a ser uma tortura. Todas as noites eu sentia nauseas terríveis e o medo de passar mal começou a tomar conta de mim. Automático! Pensar = medo = enjoôs. Me lembro que o movimento do ventilador me deixava extremamente angustiada, que eu tentava dormir na tentativa de parar com o mal-estar. Eu me queixava com meus pais, porém como todo dia era a mesma coisa, chegou em um ponto em que ninguém acreditava mais em mim...

Passou. A fase dos enjoos e do pânico de noite passou da mesma maneira que veio, do nada. Só que deixou para trás o medo de viajar, de ver alguém vomitando, de brinquedos no parque de diverção, de qualquer situação que pudesse envolver vômito. Ridículo pensar que alguém possa sofrer tanto com uma coisa assim...mas acredite, eu sofria.

No início de 2001, meus pais se separaram. Na manhã em que meu pai veio me pedir perdão aos prantos, eu não entendi muito bem que minha vida naquele momento tomava um outro rumo. Fiquei apática enquanto a ficha ia caindo...e quando ela caiu, chorei, chorei e chorei pelo ano todo afora. Foi uma época extremamente complicada. Minha mãe xingava tanto meu pai por telefone e era tanta confussão, tanta falta de dinheiro, tanta tristeza que em uma das minhas crises de choro cheguei a desmaiar dentro do banheiro.

Eu passava o tempo inteiro enfiada dentro de casa. Me sentia feia, odiava que os outros ficassem olhando demais para mim, tinha (e tenho) medo mortal da desaprovação dos outros. Comecei a sentir dores no peito, como se estivesse tendo um ataque do coração. Me lembro de estar vendo televisão e do nada, sentir uma pressão horrível no peito, como se alguém estivesse sentando em cima de mim...

....

Gente, como estou feliz com a (pequena porém valiosa) repercussão desse blog! Era justamente isso que eu queria, reunir pessoas que sofrem do mesmo mal que eu...mais do que isso, ajudar e ser ajudada também. Gostaria de responder alguns comentários...

Lealsito, eu também tenho muita dificuldade em sair para trabalhar e para pegar ônibus. E quando está lotado então? É uma verdadeira tortura, me dá uma vontade louca de sair correndo! Eu sei que as vezes é muito difícil, que a deprê toma conta da gente, que dá vontade de desistir de tudo...mas saiba que você não está sozinho e procure se distrair quando os pensamentos vêm à sua mente! Respire, respire muito!

Cileide, muito obrigada! Confio muito em Deus e toda noite peço força, coragem e resignação! De novo, obrigada!

Diego L'ins, não conheço muito sobre psiquiatria, só mesmo o que já vivenciei. Vou ver se crio um msn, um e-mail ou algo assim está bem? Enquanto isso, pode postar aqui suas dúvidas que eu tento respondê-las ok? :)

Rayla querida, eu sei exatamente como você se sente. Eu costumo definir a fobia social como: ' estar rodeada de gente e ao mesmo tempo estar sozinha' ...bom, pelo menos é assim que eu me sinto. Acho de verdade que você precisa abrir o jogo com sua família, contar que você está sofrendo e procurar ajuda. Não tenha medo do que eles irão pensar, pense na sua felicidade em primeiro lugar! (sempre!). Qualquer coisa, pode postar aqui no blog que agente vai se falando está bem?

Um beijo pessoal e até a próxima!

domingo, 22 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte I

Acho que é necessário contar um pouco de mim para avançar com esse blog não é mesmo? Contar como os primeiros sintomas apareceram, as primeiras crises e os acontecimentos que mais me marcaram (negativamente) durante minha vida e que no fim, resultaram na menina que sou hoje...

Começa assim...

Minha mãe uma vez me contou que eu era uma criança muito feliz. Sorridente, meiga, comunicativa e sem medos. Nunca fui de ser levada, de dar trabalho e sequer chorei no primeiro dia no jardim de infância...enfim, era uma criança bem calma e "dócil".

Com o passar dos anos, minha personalidade foi mudando. Sofri muito com bullying¹ na escola e na rua aonde morava. Hora eu era muito magra, hora muito gorda e o fato de ter um cabelo cacheado e aparelho nos dentes não ajudava em nada. Eu ouvia muitas piadinhas com relação a minha aparência e com o passar do tempo, fui me tornando fechada e infeliz comigo mesma. Para vocês terem idéia do nível de abuso, houveram casos de ameaça, de humilhação pública e até mesmo uma surra no meio da rua...

O pior disso tudo é que eu sofria calada. Até hoje, há coisas que minha mãe não sabe que aconteceram naquela época. Você deve estar se perguntando o porque deu nunca contar pra ninguem né? Bem...eu acho que tinha medo. Minha mãe (médica e policial civil) era muito ausente e tinha um temperamente extremamente explosivo (apesar de sempre ter sido uma mãe maravilhosa e muito carinhosa). Por exemplo, eu tinha medo de contar para ela que era ameaça por uma "amiguinha" e ela ir na casa da fulana arrumar um barraco (coisa que provavelmente ia acontecer...). O medo de chamar atenção foi surgindo e foi nessa época que eu adquiri o hábito de roer as unhas.

Meu pai era presente, mas hoje só me lembro que ele me levava e buscava no colégio. O casamento dos meus pais era pura briga e só mais tarde eu vim a saber o quanto ele aprontava, das amantes, do dinheiro que deveria ser gasto dentro de casa e que minha mãe sustentava a casa praticamente sozinha. Sabe, era tudo muito errado...e os episódios de ansiedade começaram a aparecer na minha vida...

¹ Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo - bully ou "valentão" - ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo.

Que bom!

Nossa gente, que felicidade quando abri esse blog e vi os recados, os comentários! É muito bom saber que há pessoas que estão lendo esse blog...e principalmente, pessoas que me entendem.

Só que eu gostaria de esclarecer uma coisa: suicídio é um pensamento que só me ocorre nos momentos de aflição, de desânimo e é algo que eu nunca seria capaz de concretizar. Primeiro porque eu jamais seria capaz de dar uma dor tão terrível à minha mãe e minha família. Segundo porque, apesar dos meus problemas, eu sou cristã e acredito fielmente em Deus. Fico grata com os comentários de preocupação e quero lhes digo mais uma vez: estarei sempre lutando, em busca da minha felicidade.

sábado, 21 de março de 2009

(Mais) um dia difícil...

Minha psiquiatra acha que tem uma coisa que me atrapalha a melhorar: a depressão. Ultimamente, eu tenho estado triste, desesperançosa com a vida sabe? Na verdade, eu oscilo muito. Tem dias que eu estou muito bem, tem dias que fico me perguntando o porque de ainda viver. Confesso que já cheguei a pensar na melhor forma de morrer, em suicídio. Mas não, eu não tenho nenhuma coragem...

A sensação que tenho agora é que uma pessoa está sentada no meu peito. É uma angústia, um trem ruim que me impede de respirar fundo. Você já sentiu isso?

Estou tomando Assert (50mg) há alguns dias e também tenho o Rivotril (0,25mg) para as situações em que o pânico e a ansiedade tomam conta - mas esse eu raramente tomo, reluto até o último momento. Já passei também pelo Pondera, mas não me adaptei muito bem...após quase dois meses de uso eu ainda estava tendo crises, sem contar a sensação horrorosa que foi nos primeiros dias. A Paroxetina (Pondera) me rendeu efeitos colaterais terríveis, eu não conseguia comer, ficava o dia inteiro meio que dopada...como se meu corpo pesasse 100 kg.

Eu queria chorar, colocar tudo para fora, mas não consigo. Acho que já chorei tanto que a fonte secou...

Será que tem alguém lendo esse blog? Como eu disse, eu tenho tanta coisa pra contar, tanto pra escrever que nem sei por onde começar...

No próximo post, falarei um pouco sobre como são as crises...

Se há alguém aí, um beijo!

sexta-feira, 13 de março de 2009

TAS

Eu sempre soube que havia alguma coisa errada. Repetia para mim mesmo que meu problema era timidez e que aos poucos isso iria passar. Só que não, não passou. A situação toda foi piorando e chegou em um ponto em que eu não dava mais para aguentar. Fui obrigada a reconhecer que precisava urgentemente de ajuda e pela primeira vez, após muito sofrer (calada), entrei em um consultório de psiquiatria.

Diagóstico? Transtorno de ansiedade social e depressão. Eu nunca ouvira falar disso em toda minha vida e não sabia ao certo o que sentir: eu estava feliz por finalmente descobrir o nome daquela 'coisa' que me perseguia ou desanimada por realmente constatar que havia algo de errado em mim?

Estou fazendo terapia (mais precisamente) terapia comportamental cognitiva. Há alguns meses (acho que 2 ou 3), bato ponto no consultório da minha médica toda semana. Esse blog é meu desabafo, meu histórico de luta contra mim mesma, contra minha cabeça e meus maus pensamentos. Minha esperança de cura e muito além disso, é minha vontade de que essas palabras cheguem aos olhos de alguém que sofre da mesma coisa e que este tenha a certeza que não está sozinho, que outros compartilham da mesma dor.

Claro que não dá para contar tudo de uma vez. Aos poucos, vou contando minha vida e tudo que já passei, sem nada a esconder....

quinta-feira, 12 de março de 2009

Começo.

Esse blog está surgindo em uma noite de tristeza. Em uma noite em que eu sinto que preciso de algo mais além de desabafar com minha mãe. Hoje me sinto sozinha, me sinto com vontade de morar em uma ilha deserta sem ninguém e pior, sinto vontade de não estar mais aqui. Me pergunto o que faço aqui.

Esse é o blog de uma fóbica social. Por meio dele, espero poder desabafar, contar meus medos, alegrias, conquistas e acima de tudo, chegar a ajudar alguém que sofre da mesma maneira. Acho que meu intuito principal ao criar esse blog é ajudar, pois ninguém (além de quem sofre com isso), entende como é complicado e difícil algumas vezes seguir em frente.

Enquanto eu viver, estarei em busca da minha felicidade.