domingo, 17 de maio de 2009

Namorar? Isso me assusta!


Eu nunca tive um namorado. Oportunidades? Tive várias! Só que quando as coisas começaram a ficar um pouco mais sérias, tendendo a virar um compromisso, eu arrumava um jeito de afastar a pessoa e ficar sozinha. Segundo minha psiquiatra, isso é devido a meu medo da rejeição. Tenho medo de a pessoa me achar feia, esquisita, diferente dos demais...tenho medo de contar sobre minha doença e ser taxada de doida.

Eu ouço muito as pessoas que sofrem de TAS reclamarem que nunca tiveram um relacionamento, que de alguma forma, nada nesse sentido acontece. Você já parou pra pensar se dá oportunidade para isso acontecer? Já parou pra pensar na sua linguagem corporal na hora que alguém tenta se aproximar?

Nesse momento, estou vivendo uma situação assim. Na verdade, nunca estive tão próxima de ser pedida em namoro. Se isso me causa incômodo, me deixa insegura? MAS É CLARO! Pensa que só porque eu escrevo esse blog aqui, tomo remédios ou qualquer coisa do tipo, eu não tenho medo e não sofro? Gente, isso está na minha mente todos os dias e de alguma forma, eu me sinto obrigada a encarar mais esse desafio.

Eu sei que ele gosta de mim e quanto a ele, estou tranquila. O que me deixa nervosa é conhecer os outros: família, amigos, viver situações de exposições. Fico pensando se vou dar conta, e vou conseguir compater meus pensamentos automáticos, se vou conseguir me manter em pé nos momentos sociais. MEDO DEMAIS!

Será que tem alguém lendo isso daqui? Se tiver, saiba que, apesar de tudo, é necessário se arriscar e não tem pra onde correr. Infelizmente, a coisa funciona assim. Espero que esteja tudo bem por aí...

domingo, 10 de maio de 2009

Tem dia que é assim...


Olá pessoal, depois de um tempo, estou aqui outra vez. Hoje estou me sentindo meio mal, estou ansiosa, com medo de sair de casa, com medo de passar mal na frente dos outros.

A novidade é que minha psiquiatra me deu "alta" da terapia comportamental. Quando ela me disse isso, fiquei muito surpresa e receosa, acho fiquei com medo de não dar conta sozinha. Depois de alguns meses fazendo exposições (indo viajar com a faculdade e frequentando lugares que geram ansiedade para mim), tomando minha Sertralina e também o Rivotril sublingual, não preciso ir mais nas seções semanais. * Essa "alta" quer dizer que não vou lá toda semana, que passei da fase crítica!

Apesar disso, estou muito nervosa! Ontem, quando fui tomar a Sertralina, aumentei a dose de 75mg para 100mg! Fiz isso sem orientação médica e sei que é errado, mas minha vontade de melhorar e me sentir bem supera qualquer coisa e me leva a cometer atos como esse. Agora pela manhã já acordei acelerada, com o coração a mil, sentindo enjôos e uma angústia tremenda no peito...nem pensei, tomei café e coloquei um rivotril debaixo da língua. Aparentemente, ele está começando a fazer efeito e estou um pouco mais calma.

Outra novidade é que estou saindo com um carinha. Dia 05 agora fez um mês que estamos juntos. Eu já tive muitos problemas com isso de relacionamento, pois quando as coisas começavam a ficar um pouco mais sérias, eu ficava completamente insegura e de alguma forma, afastava as pessoas. Quantas oportunidades perdidas! Mas quando eu conheci ele - por meio de um amigo em comum -, jurei para mim mesmo que apesar do desconforto, do medo da desaprovação, eu iria investir, não iria deixar meus pensamentos negativos me guiarem...

Hoje vou vê-lo. Ele é um fofo, diz gostar muito de mim e até comprou 10 talentos vermelhos só porque viu nas minhas comunidades que eu gosto. Acho que é por isso que estou nervosa! Fico pensando: será que ele vai gostar de mim do jeito que eu sou? Será que ele vai entender que eu tenho um transtorno? Será isso, será aquilo?

Estou nervosa. Antes de ir, vou sentar e fazer uns cartões de enfrentamento, acho que eles me ajudam bastante. É fácil fazer pessoal: você escreve em um papel os pensamentos automáticos que mais te atrapalham ou que vc acha que pode acontecer em determinada situação...por exemplo: " E se eu me sentir mal, ter sensação de desmaio lá na festa? "

Logo embaixo, você faz a reestruturação, dizendo: " Isso não vai acontecer, pois estou medicada. Essas sensações são criadas pelo meu cérebro e eu posso ter controle sobre elas! Eu consigo! Eu sou igual a todo mundo, não vou deixar que nada atrapalhe minha felicidade! "

Lógico que as situações e reestruturações mudam de pessoa para pessoa, afinal, cada um tem sua história de vida. Espero que isso possa ajudar alguém aí a ficar mais equilibrado...

É difícil mesmo gente, viram como no texto abaixo eu estava feliz? É assim mesmo, uns dias são melhores que os outros e assim vamos vivendo buscando sempre o melhor. Tudo de bom para vocês e obrigada pelos comentários e mensagens de apoio!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Felicidade!

Há mais ou menos um mês atrás me forcei a pagar e ir em uma viagem com a faculdade para o Rio de Janeiro. Desde de que havia posto meu nome naquela lista, comecei a ficar extremamente nervosa, apavorada e com medo. Medo de passar mal, de desmaiar, do pessoal querer sair de noite, medo de não conseguir controlar minha ansiedade. Acima de tudo, medo de falhar.

Uma noite antes, fui na minha psiquiatra e nós conversamos muito. Ela me pediu para fazer cartões de enfrentamento - você escreve situações que podem estar gerando ansiedade e em seguida faz reestruturações de forma positiva. Ela me disse que eu tinha tudo nas mãos para ficar bem: meu Cloridrato de Sertralina, meu Rivotril sublingual, os cartões e a técnica de respiração. Nossa, na noite da viagem eu estava uma pilha: chorei, tremi, respirei e trabalhei muito minha cabeça...toda hora que vinha um pensamento negativo, eu parava tudo e pensava:
" Calma, vai dar tudo certo! Vai ficar tudo bem! "

Foi assim que entrei naquele ônibus, reunindo toda a coragem que havia dentro de mim. É incrível como o fóbico social consegue sofrer com as situações que para os outros significam prazer né? Para completar, eu ainda consegui esquecer meu celular em casa e o medo de precisar ligar para alguém, pedir ajuda ia tomando conta de mim...mais uma vez precisei me esforçar para ter o controle da situação. Rezei muito para que tudo desse certo...

E assim aconteceu! Eu não consigo descrever a minha felicidade. Claro que teve momentos difíceis, usei muito o Rivotril, saí super cedo de uma balada que o pessoal resolveu ir (tinha chegado no meu limite, mas feliz por ter conseguido ir, isso sim foi uma grande vitória!) e claro, respirei muito, muito mesmo! Apesar de tudo, essa viagem será inesquecível...

Agora estou com uma sensação maravilhosa de que realmente estou melhorando, estou notando os primeiros sinais que estou ficando melhor. É bom tão saber que sou igual aos outros, que posso fazer as coisas que as outras pessoas fazem!
Estou otimista, eu quero me aceitar como eu sou, quero ter o máximo de felicidade que essa vida pode me dar!

FORÇA PESSOAL!

No próximo post, pretendo falar um pouco sobre o que estou trabalhando na TCC: técnicas de exposição, respiração e reestruturação.

Um beijo e não desista nunca!

domingo, 29 de março de 2009

Eu quero subir!


Eu passo por fases. Durante algum tempo as coisas ficam mais fáceis para mim, eu consigo viver minha vida de maneira um pouco mais normal - apesar de estar sempre com aquele incômodo lá no fundinho -, só que quando eu menos espero, as coisas ficam terríveis. Agora estou um uma dessas fases - ou saindo dela, assim espero.

Em um dia que até o momento parecia muito tranquilo, eu estava no meu trabalho quando tive uma crise de ansiedade das grandes. Do nada, fiquei completamente descontrolada. Não sei nem como dizer qual é a sensação, é uma COISA que toma conta da gente. Tremedeira, sudoreze, taquicardia, sensação de desmaio, muito enjoo e uma vontade de sair correndo, de chorar, de gritar, de sair dizendo: Porfavor, alguém me ajuda! Eu estou morrendo aqui, essa angústia toda vai me matar!

E eu não estou exagerando. É como se fosse uma montanha russa, no momento da primeira crise é como se eu estivesse lá no alto, olhando para baixo, pro horizonte e mesmo se eu quisesse, não dá mais pra desistir, o carrinho vai descer de qualquer maneira. Assim vai acontecendo, depois de descer, tem a melhora, a subida para descer novamente. Eu estou a procura do final da montanha-russa, ficar estável, segura.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte II

Foi em uma excursão de escola que as coisas começaram a mudar para mim. No fim da viagem, quando estávamos chegando ao destino, um dos meninos vomitou dentro do ônibus e para minha sorte, bem perto de mim. Fiquei desesperada, eu tremia, chorava, queria voltar pra casa naquele momento. Foi um descontrole fora do normal, algo sem explicação...e do nada! Normal todo mundo sentir nojo né? Mas não, aquilo havia me afetou de tal maneira que comecei a ficar completamente paranóica...

Dormir passou a ser uma tortura. Todas as noites eu sentia nauseas terríveis e o medo de passar mal começou a tomar conta de mim. Automático! Pensar = medo = enjoôs. Me lembro que o movimento do ventilador me deixava extremamente angustiada, que eu tentava dormir na tentativa de parar com o mal-estar. Eu me queixava com meus pais, porém como todo dia era a mesma coisa, chegou em um ponto em que ninguém acreditava mais em mim...

Passou. A fase dos enjoos e do pânico de noite passou da mesma maneira que veio, do nada. Só que deixou para trás o medo de viajar, de ver alguém vomitando, de brinquedos no parque de diverção, de qualquer situação que pudesse envolver vômito. Ridículo pensar que alguém possa sofrer tanto com uma coisa assim...mas acredite, eu sofria.

No início de 2001, meus pais se separaram. Na manhã em que meu pai veio me pedir perdão aos prantos, eu não entendi muito bem que minha vida naquele momento tomava um outro rumo. Fiquei apática enquanto a ficha ia caindo...e quando ela caiu, chorei, chorei e chorei pelo ano todo afora. Foi uma época extremamente complicada. Minha mãe xingava tanto meu pai por telefone e era tanta confussão, tanta falta de dinheiro, tanta tristeza que em uma das minhas crises de choro cheguei a desmaiar dentro do banheiro.

Eu passava o tempo inteiro enfiada dentro de casa. Me sentia feia, odiava que os outros ficassem olhando demais para mim, tinha (e tenho) medo mortal da desaprovação dos outros. Comecei a sentir dores no peito, como se estivesse tendo um ataque do coração. Me lembro de estar vendo televisão e do nada, sentir uma pressão horrível no peito, como se alguém estivesse sentando em cima de mim...

....

Gente, como estou feliz com a (pequena porém valiosa) repercussão desse blog! Era justamente isso que eu queria, reunir pessoas que sofrem do mesmo mal que eu...mais do que isso, ajudar e ser ajudada também. Gostaria de responder alguns comentários...

Lealsito, eu também tenho muita dificuldade em sair para trabalhar e para pegar ônibus. E quando está lotado então? É uma verdadeira tortura, me dá uma vontade louca de sair correndo! Eu sei que as vezes é muito difícil, que a deprê toma conta da gente, que dá vontade de desistir de tudo...mas saiba que você não está sozinho e procure se distrair quando os pensamentos vêm à sua mente! Respire, respire muito!

Cileide, muito obrigada! Confio muito em Deus e toda noite peço força, coragem e resignação! De novo, obrigada!

Diego L'ins, não conheço muito sobre psiquiatria, só mesmo o que já vivenciei. Vou ver se crio um msn, um e-mail ou algo assim está bem? Enquanto isso, pode postar aqui suas dúvidas que eu tento respondê-las ok? :)

Rayla querida, eu sei exatamente como você se sente. Eu costumo definir a fobia social como: ' estar rodeada de gente e ao mesmo tempo estar sozinha' ...bom, pelo menos é assim que eu me sinto. Acho de verdade que você precisa abrir o jogo com sua família, contar que você está sofrendo e procurar ajuda. Não tenha medo do que eles irão pensar, pense na sua felicidade em primeiro lugar! (sempre!). Qualquer coisa, pode postar aqui no blog que agente vai se falando está bem?

Um beijo pessoal e até a próxima!

domingo, 22 de março de 2009

Um pouco de mim - Parte I

Acho que é necessário contar um pouco de mim para avançar com esse blog não é mesmo? Contar como os primeiros sintomas apareceram, as primeiras crises e os acontecimentos que mais me marcaram (negativamente) durante minha vida e que no fim, resultaram na menina que sou hoje...

Começa assim...

Minha mãe uma vez me contou que eu era uma criança muito feliz. Sorridente, meiga, comunicativa e sem medos. Nunca fui de ser levada, de dar trabalho e sequer chorei no primeiro dia no jardim de infância...enfim, era uma criança bem calma e "dócil".

Com o passar dos anos, minha personalidade foi mudando. Sofri muito com bullying¹ na escola e na rua aonde morava. Hora eu era muito magra, hora muito gorda e o fato de ter um cabelo cacheado e aparelho nos dentes não ajudava em nada. Eu ouvia muitas piadinhas com relação a minha aparência e com o passar do tempo, fui me tornando fechada e infeliz comigo mesma. Para vocês terem idéia do nível de abuso, houveram casos de ameaça, de humilhação pública e até mesmo uma surra no meio da rua...

O pior disso tudo é que eu sofria calada. Até hoje, há coisas que minha mãe não sabe que aconteceram naquela época. Você deve estar se perguntando o porque deu nunca contar pra ninguem né? Bem...eu acho que tinha medo. Minha mãe (médica e policial civil) era muito ausente e tinha um temperamente extremamente explosivo (apesar de sempre ter sido uma mãe maravilhosa e muito carinhosa). Por exemplo, eu tinha medo de contar para ela que era ameaça por uma "amiguinha" e ela ir na casa da fulana arrumar um barraco (coisa que provavelmente ia acontecer...). O medo de chamar atenção foi surgindo e foi nessa época que eu adquiri o hábito de roer as unhas.

Meu pai era presente, mas hoje só me lembro que ele me levava e buscava no colégio. O casamento dos meus pais era pura briga e só mais tarde eu vim a saber o quanto ele aprontava, das amantes, do dinheiro que deveria ser gasto dentro de casa e que minha mãe sustentava a casa praticamente sozinha. Sabe, era tudo muito errado...e os episódios de ansiedade começaram a aparecer na minha vida...

¹ Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo - bully ou "valentão" - ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo.

Que bom!

Nossa gente, que felicidade quando abri esse blog e vi os recados, os comentários! É muito bom saber que há pessoas que estão lendo esse blog...e principalmente, pessoas que me entendem.

Só que eu gostaria de esclarecer uma coisa: suicídio é um pensamento que só me ocorre nos momentos de aflição, de desânimo e é algo que eu nunca seria capaz de concretizar. Primeiro porque eu jamais seria capaz de dar uma dor tão terrível à minha mãe e minha família. Segundo porque, apesar dos meus problemas, eu sou cristã e acredito fielmente em Deus. Fico grata com os comentários de preocupação e quero lhes digo mais uma vez: estarei sempre lutando, em busca da minha felicidade.